15/02/2016 - Queda nas vendas fecha quase 100 mil lojas

Foto: Káthia Mello

 

 

MARCELO G. RIBEIRO/JC


 

Houve retração de 13,4% no número de estabelecimentos abertos
O cenário de recessão fez quase 100 mil lojistas encerrarem as atividades no País em 2015, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado foi atribuído à queda no volume das vendas no varejo, que deve ter registrado, no ano passado, o pior desempenho dos últimos 15 anos.

O estudo da CNC mostra um fechamento líquido de 95,4 mil lojas com vínculo empregatício no ano passado, uma retração de 13,4% nos estabelecimentos comerciais que empregam ao menos um funcionário. As grandes lojas do varejo também registraram recuo no volume de estabelecimentos, com queda de 14,8% em 2015. Os números foram levantados com base nos dados de dezembro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
"O levantamento evidencia a dimensão da crise no varejo, que afetou todos os setores, inclusive os grandes, que, teoricamente, têm mais capacidade de enfrentar o quadro recessivo. Além disso, chama a atenção porque ela está presente praticamente no País inteiro", avaliou o economista Fabio Bentes, da CNC, em nota.
Todos os segmentos do varejo registraram queda no número de lojas, mas os mais prejudicados foram os ramos mais dependentes das condições de crédito: materiais de construção (-18,3%), informática e comunicação (-16,6%) e móveis e eletrodomésticos (-15,0%).

Em termos absolutos, o setor de hipermercados, supermercados e mercearias foi o segmento que teve a maior redução no número de lojas: 25,6 mil estabelecimentos foram fechados no ano passado. O setor reponde por um em cada três pontos comerciais do País, lembrou a CNC. Os segmentos de supermercados e de vestuário e acessórios responderam por quase metade (45,0%) das lojas que encerraram as atividades em 2015.

Apenas Roraima não registrou recuo no número de lojas. Espírito Santo foi, proporcionalmente, o local mais afetado (-18,5%), seguido por Amapá (-16,6%) e Rio Grande do Sul (-16,4%). São Paulo (-28,9 mil), Minas Gerais (-12,5 mil) e Paraná (-9,4 mil) responderam, juntos, por mais da metade (53,3%) da queda no número de estabelecimentos.

Varejo gaúcho também foi impactado devido à crise econômica


CRISTINE PIRES/ESPECIAL/JC

Rede Bronzatto anunciou que, após 56 anos de atuação, encerrou as atividades


Os líderes das entidades que representam o comércio gaúcho são unânimes em afirmar que o Estado também sentiu o reflexo da crise econômica. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL Porto Alegre), Alcides Debus, comenta que a instituição começou uma pesquisa, em maio de 2015, para acompanhar a questão do fechamento de lojas. O trabalho não foi concluído ainda, porém o empresário adianta que os dados preliminares apontam o encerramento das atividades de 4% das lojas de rua da Capital. Quanto a estabelecimentos localizados em shopping centers, o impacto é ainda maior, e, conforme Debus, em alguns casos, mais de 20% das lojas foram desocupadas.

Entre os fatores que explicam esse fenômeno, o presidente da CDL Porto Alegre cita o fato que o comércio sustenta-se, em grande parte, devido às vendas a prazo, e os consumidores dependem da confiança na estabilidade da economia para se endividarem. Debus aponta os segmentos de móveis, eletrodomésticos, calçados e roupas como os mais prejudicados. Sobre as expectativas para 2016, o empresário diz que não espera uma melhora da economia e recomenda aos lojistas que adotem um gestão austera.

O presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer, destaca que é possível perceber, diariamente, o fechamento de lojas no Estado. Para o dirigente, o segmento que mais sofreu com os reflexos da crise foi o de bens duráveis (eletrônicos, móveis etc.).

Noer adianta que a tendência é que o cenário não se altere muito em 2016. Apesar do panorama negativo para o ano, a expectativa do varejo gaúcho para as vendas do mês de fevereiro são boas. Segundo o presidente da AGV, fevereiro poderá ter vendas até 25% superiores referentes ao mesmo mês no ano passado em Porto Alegre e Região Metropolitana, podendo se estender para o Rio Grande do Sul. Entretanto, Noer enfatiza que a perspectiva de melhora nas vendas neste mês é algo pontual e acrescenta que fevereiro de 2015 foi um dos piores dos últimos anos, prejudicando a base de comparação.

O presidente do Sistema Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, também atesta os problemas enfrentados pelo varejo gaúcho. "Basta caminhar pelas ruas das cidades ou pelos shoppings que se vê múltiplas placas de aluga-se", frisa o dirigente. Um desses comunicados, recentemente, podia ser visto no Bourbon Shopping da avenida Ipiranga, em Porto Alegre. A Bronzatto e Cia. anunciou o encerramento das suas atividades, após 56 anos de atuação no varejo de calçados.
Bohn ressalta que esses anúncios, cada vez mais numerosos, dão indícios de que a crise vivida atualmente, a mais intensa no País desde a década de 1930, tem sido trágica para as empresas e para os empregos. O dirigente considera ainda que as perspectivas para 2016 não são boas. Bohn argumenta que não se verifica ação por parte do governo federal que venha a alterar o quadro atual.

 

Fonte: Jornal do Comércio - 15/02/16

 

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