05/02/2016 - Nota Afocefe Sindicato

Nota Afocefe Sindicato:

Teria a indiferença da Receita Estadual colaborado para o fechamento da linha de produção da Souza Cruz em Cachoeirinha?

Não é de hoje que o Afocefe Sindicato vem destacando a necessidade de ampliar a sensação de risco dos sonegadores de impostos e dos contrabandistas que atuam no Rio Grande do Sul.

A Receita Estadual, por sua vez, vem reduzindo a presença do Fisco com o fechamento de repartições públicas, de postos fiscais e turmas volantes; e, por consequência, favorecendo o trânsito de cargas irregulares em solo rio-grandense.

Sabemos que a Souza Cruz e o Sinditabaco também têm reclamado do Governo do Estado a falta de intervenção para coibir o contrabando e o aumento dos tributos incidentes sobre os produtos do setor. Esses fatores proporcionam condições adversas à produção, fazendo com que ocorra perda de empregos e renda.

É com uma atuação efetiva e integrada dos diferentes setores da Receita Estadual e dos demais órgãos de controle que a justa concorrência e os empregos do RS podem ser defendidos. Um Estado em crise financeira não pode continuar a se omitir, ficar inerte, desmantelar as equipes de fiscalização do trânsito de mercadorias!

 

Matéria divulgada no Jornal Zero Hora - 05/02/16

Souza Cruz vai fechar fábrica no Estado

SERÃO DEMITIDOS 190 FUNCIONÁRIOS e realocados outros 50 da unidade em Cachoeirinha


A Souza Cruz anunciou ontem que vai encerrar as atividades da fábrica de cigarros em Cachoeirinha. Serão demitidos 190 funcionários e realocados outros 50. O fechamento está previsto para 4 de abril, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo de Porto Alegre e Cachoeirinha. Joaquim Jevinski. O Centro de Pesquisas e Desenvolvimento continuará em operação no local.

A empresa seguirá investindo no Estado, mas a diretora jurídica e de relações institucionais da fumageira, Maria Alícia Lima, considera pouco provável a retomada da produção de cigarros. A Souza Cruz tomou a decisão após anúncio, por parte do governo federal, de aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 14% neste ano, em duas parcelas – em maio e em dezembro.

– Foi a gota d’água – disse Maria Alícia, detalhando que, entre 2011 e 2015, a elevação de impostos chegou a 110% na média e a 140% de alta nas marcas de menor preço.

No acordo firmado entre empresa e sindicato, foram estabelecidos vários benefícios aos funcionários que serão desligados. Entre os quais, está o pagamento por seis meses dos valores correspondentes a cesta básica e plano de saúde, além de bônus de 30% do salário por ano trabalhado.

– Eles serão amparados por todos os direitos previstos em lei – afirmou Jevinski.

ALTA DE TRIBUTOS FRUSTRA PLANOS DE EXPORTAÇÃO

A unidade de Cachoeirinha foi inaugurada em 2003, e tinha o plano “ambicioso”, conforme descrição de Maria Alícia, de produzir 100 bilhões de cigarros por ano. A intenção levava em conta a possibilidade de exportação, que segundo a executiva, foi frustrada pela taxação de 150% imposta sobre a venda de cigarros ao Exterior. Nos últimos anos, a produção anual da unidade havia caído de 30 bilhões de cigarros para 9 bilhões.

– Com o novo aumento de IPI, fizemos uma projeção para ver quanto da produção ficaria, e percebemos que iria continuar despencando – relata Maria Alícia.

Por enquanto, a Souza Cruz não pretende vender a área da fábrica. Um dos motivos é o acordo operacional com a Amcor, para a qual vendeu o parque gráfico associado à fábrica, no mesmo local, em abril de 2015. O outro é a formação de um Centro de Excelência em Tabaco, aprovado com a controladora, a British American Tobacco, com sede no Estado. Esse projeto receberá investimentos, mas ainda não estão definidos.

Maria Alícia lamenta que, além dos impostos federais, tenha havido aumento de ICMS que, segundo a executiva, “começou no Rio Grande do Sul e se estendeu para outros Estados”, o que agravou os problemas de mercado:

– O contrabando de cigarros não é mais uma atividade romântica, de baixo impacto criminal. É feito pelos mesmos bandidos que traficam armas e drogas, é crime organizado.

A Souza Cruz seguirá produzindo cigarros em Uberlândia (MG), que está com capacidade ociosa, segundo a diretora.


13 ANOS INCOMPLETOS

-Inauguração: 25 de abril de 2003.
-Ambição: produzir 100 bilhões de cigarros ao ano, inclusive para exportação.
-Realidade: a produção havia caído de 30 bilhões para 9 bilhões de cigarros ao ano.
-Motivos: a empresa atribui a perda de mercado ao “aumento excessivo” de tributos, como Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI (acumulou 110%, na média, em quatro anos), sobre exportações (alta de 150%) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS. A Souza Cruz também aponta avanço do contrabando, que, segundo a empresa, chega a 31% do mercado nacional e alcança 43,3% no RS e 52,8% no Paraná.

O COMPLEXO

-Em 2007, foi inaugurado o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento, que hoje se chama Regional Product Centre Americas, um dos mais avançados do mundo.
-Em 2009, a companhia realizou mais um projeto: a inauguração do parque gráfico, também no complexo de Cachoeirinha. O parque tem área de 20 mil metros quadrados e foi fruto de investimento de R$ 130 milhões

 

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